Um Recruta Na Sorbonne


Timochenco me conferiu uma missão: prefaciar o seu livro “Um Recruta Na Sorbonne”.
Não é todo dia que recebemos tal honraria e responsabilidade. Um Marechal me determinou fazer o prefacio dos relatórios de suas missões de guerra e num primeiro momento pensei se teria o cabedal necessário para tal.
Primeiro eu teria que acompanhar a sagacidade do autor em entender de que missão e de qual guerra ele se referia.
Observar as rotinas dos fatos cotidianos e relatá-los como agente privilegiado, não é tarefa das mais fáceis para um autor de literatura fantástica.
É como se postar a beira de um rio e observar paciente, o movimento lento e constante de suas águas turvas, e ao mesmo tempo gravar com particular perspectiva, os detalhes que só os mais pacientes e sábios conseguem fazer.

Assim é que Abel de Figueiredo Rossi ou simplesmente Dr. Abel, relata e reinterpreta com bom humor e graça, passagens de sua juventude de uma forma que prende e encanta ao leitor até mesmo mais distraído.
Para se entender sobre esta missão e sobre esta guerra é preciso se conhecer um pouco sobre o autor.
Dr. Abel, como é conhecido pelos parentes e amigos, não ostenta este titulo como uma comenda, mas como um apelido. Simples e despojado, se apresenta como um homem do campo que conquistou a “cidade grande” com labor e dedicação.
Os valores que o referenciam nestas missões de sua guerra, são os que permeiam sua vida de trabalho, gerando a sua volta um oásis de estabilidade e bonança.
Em “Um Recruta Na Sorbonne”, Dr. Abel executa com maestria sua grande missão como autor.
Registra, relata e reinterpreta fatos de sua juventude como a lente do fotografo, que tira milhares de fotos e as cede para a posteridade num relatório descontraído.
“A missão de um autor não é vender livros, mas fazer prosperar uma idéia”, e ao caminhar no cotidiano dos fatos o autor projeta, como um historiador atento, sua visão particular sobre os cenários e as épocas.
Sua missão de guerra é desta forma, coroada com louvor, coisa que não pode ser atribuída e este prefaciador insipiente, que, no entanto confessa pelo autor a admiração que se deve a um amigo de longa data.
Entendi que sua capacidade de observar o rio e descrever sua passagem é a verdadeira alquimia que só os mais sábios conseguem exercer.
Ao Marechal Timochenco minhas mais sinceras continências e um agradecimento especial pela missão e oportunidade.


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                                                                                João Drummond