A EPIDEMIA DA VIOLÊNCIA - A GRANDE TRAGÉDIA HUMANA


  
Um estudo superficial da história nos oferece alguns quadros da natureza humana ao longo dos séculos. Desde o Homem de Neandertal e Cro-Magnon, ao Homo Erectus e Homo Sapiens, etc... a raça continuou a evoluir sob certos aspectos, talvez não tanto quanto pensávamos ou gostaríamos.
Com toda a evolução que o advento da Era contemporânea nos apresenta, continuamos carregando uma herança ancestral maldita. O gene da violência, tão característico quanto necessário aos animais selvagens.
Vimos surgir nestes tempos sombrios o que talvez possamos chamar de “homo fóbicus” e o “homo violentus” com as características de todos os tipos combinados.
Só que, com uma grande diferença. Os traços de violência desde tipo antropológico se apresentam não mais como uma necessidade de sobrevivência.
O animal pré-histórico embutido na raça humana moderna dá o ar da graça de forma gratuita, sem necessidade e sem aviso prévio.
Como um lobo enraivecido, uma figura patética entra em cena em qualquer hora e lugar, agredindo, matando, estuprando, como se num passe de mágicas os séculos de humanidade fossem esquecidos e ficassem para trás.
Um rápido diagnóstico da violência mostra que todos nós podemos ser vitimas ou algozes a qualquer momento, quando tomados por algum seqüestro emocional requisitamos nos recônditos da nossa natureza, a fera que se esconde numa leve capa de humanidade.
E esta falta de humanidade pode se expressar de varias formas, desde as mais sutis as mais descaradas.
Para que ocorra a violência, como em tudo mais na vida, precisamos de três fatores combinados: a vontade, os meios e a oportunidade.
A vontade aparece muitas vezes por motivação doentia e mórbida, quando aquele urro primal, ecoando das cavernas da psique dá seu grito de guerra, sem necessidade ou outro motivo racional.
Os meios são muitos e vão desde um pênis ereto a serviço de uma libido descontrolada até um veiculo de direção perigosa nas nossas largas avenidas e estreitas ruelas, passando pelas facas e facões, beretas, mausers, revolveres, escopetas, rifles, metralhadoras, bazucas e bombas.
E as oportunidades ou aparecem ou são criadas à nosso bel prazer, e neste particular o Homo Violentus é extremamente oportunista.
Quanto a vontade mórbida de matar ou morrer, se atua com tratamento, educação, cultura ou prisão, que é na verdade um paliativo. A prisão segura o animal, mas aumenta a vontade.
Sobre os meios, teríamos que promover uma campanha consciente de desarmamento coletivo, de todos os tipos de armas, e isto inclui os pênis inquietos e os carros com condutores irresponsáveis.
As famílias e a sociedade em geral têm que ser menos condescendentes com os crimes sexuais e de transito.
A proposta de um plebiscito ataca apenas um dos fatores, e parte de uma matemática simplista, menos armas, menos oportunidade.
Aos políticos é necessária uma reflexão especial. Eles deveriam fazer uma mea culpa e atuar sobre a corrupção que é um traço marcante e um estigma da classe.
A corrupção de quem faz e promove a lei é a sem duvida a maior de todas as violências por que esgota recursos que poderiam atuar sobre todos os fatores que promovem a violência em geral, formando ainda, pelo exemplo o habito de transgredir.
O enfrentamento da violência deve ser uma bandeira da sociedade numa luta diuturna e sem tréguas contra sua natureza mais sombria. Uma luta que começa e termina na consciência de cada um de nós.

João Drummond