O Futuro da Literatura - Tablets, (e similares) e Livros

Por Dragus


Sou ávido leitor de livros e também sou um consumidor de tecnologia daqueles que se não fossem minhas limitações financeiras trocaria minhas bugigangas como troco de roupa.

Eu adoro meus livros. Construí minha parca biblioteca (e com ela meu vocabulário) com o passar dos anos e tenho orgulho de ter lido cada um dos livros de minha estante e apenas lamento hoje, em minha vida adulta, ter muito trabalho e pouco tempo para desejar ler (prefiro usar meu tempo livre em atividades que não envolvam pensar, porque a cabeça tem andado desgastada).

Mas não posso negar a vantagem dos argumentos daqueles que defendem os tablets (como dizem alguns). De fato, em tempos que está na moda preservação da natureza argumentar que em um tablet cabem mais livros que em uma estante e que livros consomem árvores é um argumento válido. Mas por trabalhar na área sei também que esse argumento cai por terra porque:
1. Lixo tecnológico dos tablets (aparelhos e baterias) não é biodegradável;
2. Matéria-prima não é renovável (não se plantam tablets), que o diga sua extração que é estupidamente danosa ao meio ambiente;
3. A reciclagem ainda é cara e pouco difundida, isso quando consegue gerar algo aproveitável.
4. Descartáveis - em pelo menos seis meses a tecnologia deles está ultrapassada, e você será forçado pela indústria/propaganda em algum momento a trocá-lo para poder adquirir novos livros, o que leva ao item 1 e faz disso um ciclo vicioso.

Logo, gosto não se discute. Ainda prefiro livro. Se me sinto culpado porque posso estar derrubando árvores para estar lendo Senhor dos Anéis de Tolkien ou a saga A Torre Negra do Stephen King, vou no quintal de casa e planto algumas árvores. Com relação ao lixo tecnológico que produzo, resolvo doando as peças velhas a pessoas com menos poder aquisitivo (e consequentemente tecnologia) que para ele será top de linha, e o que está acabado jogo no lixo.

"No Rio de Janeiro não existe política de reciclagem, e não há interesse de implementação de uma política disso. Apesar de nos condomínios haver a ilusão da separação do lixo reciclável, quando você entrega para a Comlurb vai pra mesma caçamba. Existem isoladamente algumas universidades (como a UFRJ que tem o Recicla CT) que fazem projetos isolados de reciclagem, mas..."

Enfim, acredito que o futuro seja pela convergência. Como já acontece com alguns artistas da indústria musical, quando você pode optar. Você pode simplesmente comprar o livro tradicional, ler e colocar na sua estante (ou dar, ou emprestar, ou colocar pra apoiar a mesa de jantar). Pode comprar apenas a versão digital e tê-la enquanto não apagar acidentalmente num bug qualquer (ou esquecimento de senha). Ou comprar o pacote completo e ter ambos. O livro em casa para a eternidade e a cópia digital para tê-lo sempre a mão quando quiser (seja no banheiro, no trabalho, no avião, no escritório, ou naquele momento em que alguém está conversando contigo um assunto chato e você finge que recebeu uma mensagem de texto e está lendo o livro).

E você, o que espera? O que prefere?
Artigo de Dragus | Quarta-feira, Junho 22, 2011


Nota do Editor


A discussão sobre o futuro da literatura e do livro de papel prospera com argumentos fortes de  lado a lado, (livros de papel e e-books). Todos os argumentos são validos e o que restar desta equação é resultado da liberdade de escolhas a que todos temos direito. 
Para esta geração pouco familiarizada com as novas tecnologias, creio que o livro de papel continuará firme  e forte como instrumento de leitura e reflexão.
Para as novas gerações dois fatores fortes se somam a favor dos tablets: os recursos fantásticos que a tecnologia oferece em termos de pesquisa e de estoque e organização de informações, e os preços muitos mais acessíveis dos e-books em relação ao dos livros de papel. O que pode dar novo alento à literatura mundial e promover novos autores e leitores. Ou seja, o mesmo fenômeno que se deu com o advento do celular ao democratizar e popularizar a comunicações pessoais.
As questões relativas a degradação ambiental , (corte de arvore, lixo tecnológico), nos remetem a outra discussão, que passa necessariamente pela evolução nossa consciência ecológica, em que a literatura transportada, seja em livro de papel, ou  em e-books pode contribuir decisivamente.
E o que vai contar no final, não é a quantidade de informações, mas sua qualidade e a capacidade desta nova geração de trabalhar com elas.

                                                             
João Drummond