Assim no Amor como na Guerra... Ou no futebol



Saudades do Cruzeiro da Tríplice Coroa)

De todos os esportes, nenhum mobiliza tanto as multidões quanto o futebol. Ali dentre as quatro linhas toda uma eternidade se passa em dois tempos de quarenta e cinco minutos, mais intervalo.
Pode-se dizer que o futebol é o esporte mundial por excelência. Quantas lições ele nos passa a cada jogo, e mesmo pessoas que dizem não apreciá-lo, se tornam torcedores fanáticos quando ele se transforma nas copas mundiais, em competições de orgulho nacionalista.
Como administrar um negócio que de lado movimenta milhões de reais em pagamento de infra-estrutura e salários estratosféricos, e de outro os milhares de corações apaixonados que seguem seus clubes nos bons e maus momentos?
Os fatos marcantes do futebol passam para a história como lendas “das quatro linhas” e enriquecem o seu folclore para as novas gerações que já nascem com seus times do coração.
O que leva um torcedor a se identificar com um clube e não com outro? Podemos admitir que os clubes, como as pessoas tem suas personalidades expressadas em valores que como um diapasão faz vibrar seus corações, ou não.
Neste sentido torcer por um time é uma questão de amor a primeira vista. E como nas grandes paixões o torcedor vai em instantes, do êxtase da alegria á resposta furiosa das massas irracionais, de acordo vitória ou derrota do seu time de coração.
Um homem pode ser racional ou não, mas as multidões sempre são irracionais quando mobilizadas pela paixão.
Uma vitória do seu time torna a sua vida um mar de rosas. Todos os problemas do cotidiano são minimizados ou esquecidos e aquela vitória passa a ser também sua. No caso de derrota de seu time a vida toma um tom acinzentado e seus problemas pessoais são ampliados de tal forma que a v ida se torna algo insuportável.
Heróis são criados num dia para serem desbancados em outro. Vilões são resgatados ao grito do mantra mais forte que se tem noticia: goooooool!
Fala-se que o futebol não tem lógica. Um time pequeno pode muito bem derrotar aquele time de estrelas internacionais, quando movido pela paixão se investe do espírito vencedor para derrotar a técnica e o apuro tático.
No futebol como na vida a atitude faz toda a diferença. Um time pode entrar em campo já derrotado de antemão se por sobre a camisa com o emblema do seu time não estiver com um manto sagrado da intenção e do desejo sincero de vencer.
No futebol atual, com tantas estrelas importadas a saldo de ouro, como nas legiões estrangeiras este sentimento de paixão é trocado pela lógica perversa dos negócios.
Um atleta de renome muitas vezes, não se sente impelido a colocar seus valorizados tornozelos em jogadas mais ríspidas. Afinal elas foram cotadas em dólar.
E como no amor e na guerra os detalhes fazem toda a diferença, o futebol (e o amor) tem razões que a própria razão desconhece.
Alguém já disse que o pênalti, é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube.
Roberto Drummond, cronista esportivo, e escritor de Belo Horizonte escreveu, certa vez que: “diante de uma camisa do Atlético Mineiro balançando num varal, o atleticano torcia contra o vento”.
Por isto quando vejo o meu time, o Cruzeiro jogando para fugir do rebaixamento, só posso me apegar às lembranças daquele time de jornada memoráveis que nos deixava dormir com um sorriso nos lábios e o sentimento de orgulho próprio dos vencedores.
E tenho pena das novas gerações de cruzeirenses que vão ter que se contentar com este time remediado que deixou de circular os pódios mais altos do nobre esporte bretão, para se preocupar apenas a serie B.
Quem sabe lá na segunda divisão do futebol não se encontra chave que traga de volta o autentico Cruzeiro. Talvez, com o concurso das novas gerações, ávidas por futebol e ainda não contaminadas pela lógica os negócios, o nosso time recupere a alegria, a simplicidade e o orgulho que bem servem a um verdadeiro campeão.

João Drummond