Debate sobre crônica diverte público no 2º dia do 'Literata'




24 de novembro de 2011 • 23h33 • atualizado às 23h35

JOSÉ GUILHERME CAMARGO
Direto de Sete Lagoas

Histórias sobre o cotidiano da vida urbana e crônicas improvisadas faladas durante o debate sobre a obra de Fernando Sabino divertiram o público no segundo dia do Literata, na noite desta quinta-feira (24), em Sete Lagoas, região central de Minas Gerais. Ao final da mesa redonda o público aplaudiu de pé os convidados.
A segunda edição do evento conta com exposições, palestras e oficinas sobre a vida e obra do escritor mineiro, que morreu em 2004. Nesta quinta-feira, o público pôde acompanhar o debate com o tema ¿Sabino, o cronista¿. Os convidados foram o escritor do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, Fabrício Carpinejar, e o cronista da revista Veja, Ivan Angelo, além do mediador, o jornalista Humberto Werneck, que também é curador da exposição.
No começo do debate, os convidados fizeram referência à importância das crônicas de Sabino e também à relevância do gênero na literatura brasileira. A discussão girou em torno de um questionamento do próprio escritor mineiro: "a crônica é um gênero literário menor?". No entanto, a hipótese foi logo descartada pelos debatedores.
"A crônica exige acabamento, ter uma compreensão mais poética das coisas. O escritor tem que oferecer o melhor de si", disse Ivan Angelo. "Crônica é literatura no jornal", afirmou Carpinejar.
Contudo o debate ganhou um tom humorístico quando os escritores compartilharam com o público como seria o processo de criação de uma crônica. Segundo o gaúcho, o escritor enxerga a oportunidade de produzir uma crônica nos mínimos detalhes do cotidiano.
"Veja, por exemplo, o nó da toalha no cabelo de uma mulher. Aquilo é impressionante. Como as mulheres conseguem fazer aquilo? Todo homem deveria aprender a dar aquele nó... A crônica está nas coisas simples que as pessoas tem vergonha de dizer", brincou. "A crônica é a valorização da mentira. Toda traição deve ser perdoada, caso a mentira seja bem contada", completou Carpinejar, arrancando gargalhadas do público.
Luciano Wilson Silva, 19 anos, estudante e trabalhador de uma fábrica de caminhões da cidade, conta que aprendeu bastante com o debate. "Muito divertido, nunca tinha visto isso. Eles criam crônicas de tudo, não têm um único foco", comentou.
Luciano diz que mesmo aliando estudo e trabalho, ainda conseguiu tempo para produzir o próprio livro. O romance A tristeza ou a felicidade conta a história dos "espinhos e os sorrisos na trajetória de vida de um estudante". Ele conta que apesar de conhecer de perto cronistas consagrados, acredita que terá mais sucesso como romancista. "Eu achei bem legal, mas para criar do jeito que eles escrevem, não sei se ficaria bom. Prefiro romance, ação, suspense", comentou.
Já a empresária Denise Henriques, 50 anos, acredita que este tipo de festival pode mudar a cara de Sete Lagoas. "Foi divertidíssimo, cheio de competência dos convidados. Acho que isso é necessário para conquistar as pessoas", disse.
Ao final da noite, um debate sobre mercado editorial movimentou o festival e mostrou o lado editor do escritor Fernando Sabino. O evento contou com a participação de Mariana Rolier, Fernando Paixão, Julia Moritz Schwarcz e Luciana Vilas Boas. O Literata continua no Casarão da Cultura em Sete Lagoas, até o próximo sábado, dia 26.