ESTRELA CADENTE E OUTROS CONTOS (Trecho)


Tão calma era a noite.
Noite calma, noite triste.
Dois olhos verdes passeavam pela extensão da mata, mergulhada em sombras e silêncio.
Uma lua semi-encoberta por nuvens de chumbo permanecia entre o sono e a vigília, companheira desatenta daquele cenário gótico.
Olhos verdes, um rosto pálido, uma sensação de profunda angústia se projetavam da janela aberta do plano alto da Casa Grande.
Uma Casa Grande e solitária, luzes apagadas, cercada pela mata e pelo movimento das sombras semoventes.
Quem sabe, sombras que vinham reclamar uma fatura do passado?
Do tempo em que a Casa fora palco de um teatro macabro. Ali se torturara e ali se matara no tronco ainda erguido no centro do pátio principal, uma testemunha muda, surda, cega e paralítica daqueles tempos que a Casa tentava exorcizar.
Uma face jovem, com grandes olhos esmeralda e tez pálida, fitava, fixa e perdidamente, o ponto em que o céu e a mata se confundiam.