A ARTE DA VIDA


Dizem que saber viver é uma arte. Neste caso somos todos artistas. De uma forma ou de outra vivemos, (ou sobrevivemos), e a qualidade de nossa arte varia de acordo com os nossos valores individuais.
Algumas vidas são obras de qualidade que servem de referência para as futuras gerações, outras são medianas, (a maioria), e outras ainda de uma mediocridade a prova de qualquer crítica.
Isto porque é impossível ao critico avaliar uma obra medíocre sem ofender ao artista, porque afinal o artista é sua obra.
Alguns artistas constroem obras de valor universal e perene que serão cultuadas e valorizadas nas galerias do tempo e espaço.
Pessoas que tem sua vida pautada em ideais criam referências positivas e dão tom e ritmo ao “caminhar da humanidade”.
Criam, subvertem, contestam, revolucionam, destroem e constroem parâmetros de novas realidades que vêm substituir modelos arcaicos que já não funcionam e nem respondem as demandas da sociedade.
O sonho de vida feliz da maioria das pessoas é baseado numa conquista meio sem sentido de valores materiais, influência e poder que servem em primeiro lugar a nossa natureza doentiamente egocêntrica.
Quem vive na penúria sonha com a opulência material como o topo de suas aspirações. “Se eu tivesse isto ou aquilo, ai sim eu seria feliz”.
Quando e se ele alcança aquele sonho de consumo, percebe que falta ainda alguma coisa e seu aferidor de satisfação pessoal muda de nível.
Seus sonhos de consumo o atormentam, a tal ponto que sempre estará transferindo para um futuro incerto e não sabido o direito de usufruir seus comprimidos de felicidade instantânea.
Recursos financeiros, títulos, poder e status, dão ao insensato a falsa noção de ser bem sucedido, e a busca destes símbolos de sucesso explodem num apetite voraz e sem controle.
A falta de humanidade é nossa marca, quando temos a pretensão de conquistar muito mais do que precisamos para nossa segurança e conforto, em prejuízo de milhares que mal terão o que comer.
O empreendedor gera a sua volta prosperidade, empregos, qualidade de vida, e em função do serviço prestado é devidamente remunerado.
Já o acumulador de riquezas improdutivas não passa de o grande depósito de gorduras que com certeza não o acompanharão na viagem derradeira.
Temos todos, na vida material, a mesma origem e o mesmo destino. Nascemos nus, sem dentes e carecas, e em geral chorando em nosso primeiro sopro de vida. Já o nosso destino se resume aos sete palmos da “terra que há de nos comer”.
Já a vida alem da vida material é uma incógnita que está na categoria de nosso foro pessoal. Cada qual tem suas convicções a respeito.
Quanto ao nosso legado, sobram-nos duas opções: o resto de nossas carcaças em cova rasa, ou a obras que conseguirmos deixar para o acervo do conhecimento humano. Temos que resolver ainda em vida qual modelo serve melhor aos nossos ideais, ou a falta deles.

João Drummond