EXPERIÊNCIA ELEMENTAR DE CONEXÃO COM O DIVINO

Uma noite as pessoas viram Rabia procurando algo na rua, em frente de sua cabana e lhe perguntaram: O que você está buscando?”E ela disse: "Eu perdi a minha agulha".
Assim, eles também começaram a procurar.
Então alguém perguntou: - Rabia, você não nos contar exatamente onde ela caiu?
Rabia disse: - A agulha caiu dentro da minha casa".
Eles disseram: - Você enlouqueceu? Se a agulha caiu dentro da sua casa, por que você a está procurando aqui?"E ela disse: "Porque dentro da casa não há luz nenhuma".
Extraído do livro "Sufis - O Povo do Caminho" de Osho
Costumo às vezes, ouvir que a evolução da consciência não dá saltos. Acredito!Mas chega um tempo, um tempo de inquietação, que faz do peito brotar, um sentimento de estranhamento. Nosso olhar que antes via o desenrolar cotidiano e previsível das coisas e das relações, de repente para, vê e se dá conta.
Para onde vamos? Qual é a nossa missão nesta vida? O que procuramos e onde?
Chega um tempo em que responder a estas perguntas fundamentais, é uma ordem!
Em contato com o Despertar Espiritual vivenciamos crises, desafios, aberturas e uma possibilidade real de nos alinharmos com a nossa Missão. Integrar esta experiência, no entanto, não é um desafio fácil. Muitas vezes e para muitas pessoas depois de uma experiência de abertura espiritual onde se ouve e se prova a energia divina em si, vive-se a “noite escura da alma” e esta energia aparentemente se perde.
Para quem ouviu e viu, sentir-se de novo cego e desorientado é uma experiência de crise e dificuldades. Na tentativa de reencontrar o caminho da conexão, ansiosos passamos a buscar, como Rábia, a agulha perdida dentro de casa, do lado de fora. Partimos em busca de situações, lugares, pessoas, amigos, almas gêmeas e até mesmo caminhos espirituais que por mais iluminados que sejam, podem não nos corresponder, na tentativa de reativar em nós a Chama Divina que um dia mostrou seu brilho.
Assim é para muitos, assim foi comigo.
Até que um dia, me dei conta de um sentimento que penetrou em minha mente duvidosa e que por mais que duvidasse mostrou-se firme e profundo: Poderia o Grande Mistério, Deus abandonar assim seus filhos que ansiosos O Buscam? Não! Não poderiam! Então sou eu que o busco fora e por mais que tente encontrá-lo, por mais ansiedade e desespero que esta busca me cause, não O encontrava.
Mas se ele está dentro, onde se esconde? E isto sempre foi para mim uma profunda angustia, pois não havia pistas de Deus em mim. E esta era a razão de buscá-lO fora.
Então a segunda indagação me atravessou: Quais são as pistas de uma atuação de Deus em mim? Existirão estas pistas?
Foi então que me deparei com a Experiência Elementar, que me deu um dos maiores insights de minha vida. E para explicá-la, o que não é fácil, valho-me da metáfora de uma planta. Uma planta nasce com um propósito divino de ser planta, tal qual é. Não importa se é uma linda e perfumada rosa, ou se é uma erva daninha. Uma planta é uma planta, e tentará ser o que é, mesmo nas mais desfavoráveis situações. Lutará bravamente para ser o que é e nisto está seu propósito existencial e a expressão do divino em si. Se não houver condições favoráveis de crescimento, crescerá fraca e distorcida, mas a força divina estará lá presente e latente impulsionando-a na direção de si mesmo.
O mesmo ocorre conosco.
No entanto, acostumados a pensar nas nossas distorções, deixamos de perceber o Impulso Divino, e passamos a nos perceber como egos. Apesar de nossas afirmações positivas, de nossa bandeira New Age de que somos Luz, no fundo acreditamos que Deus não está em nossa humanidade, em nosso cotidiano, em nossa expressão e em nossa sombra. Não! Não acreditamos na possibilidade real de Deus bem à nossa frente, bem aqui e agora no nosso mundo comum.
Não está Deus também na expressão primeira da natureza? E qual é a nossa natureza? Qual seria o nosso DNA Divino? Não haverá em nós também uma Força Divina nos impulsionando numa direção, que nós sem saber resistimos e distorcemos?
Se há esta Força direcionadora de nosso movimento existencial, e é o que a Experiência Elementar afirma, então trata-se de reconhecê-la, pois ela é nosso Impulso Divino, a centelha que tanto buscamos, a faísca divina que pode acender nosso interior e iluminar nossa casa por dentro.
No entanto, somos acostumados a olhar para fora, e quando olhamos para dentro, somos também acostumados a perceber, até mesmo pela visão de muitos trabalhos de autoconhecimento, a distorção e não a Força impulsionadora por trás dela.
Fixamo-nos no ego e nas suas distorções e acabamos nos tornando exímios doutores na ciência do ego. Sabemos como atuamos, conhecemos nossas distorções, como fazemos para encontrar a tal agulha fora de casa, como os outros agem fora de casa, quem dá mais volta, quem mais se afasta da casa. Adquirimos profundos e até “sábios ensinamentos” de nosso comportamento fora da casa. Tornamo-nos especialistas em desconexão e nos vangloriamos disto! Acabamos por acreditar que em teoria somos Luz, mas na prática de nosso cotidiano, nada temos de Luz. Somos a expressão do Demiurgo e não de Deus. E então não acreditamos que haja pistas, que haja Luz, manifestando na nossa casa.
E é isto que a Experiência Elementar nos possibilita. Perceber esta luz, mesmo que pequena de nós mesmo, perceber o que de fato somos e o que de fato nos corresponde. Aquilo que de fato nos corresponde é Deus em nós. Um Deus que já existe, não como uma suposta centelha teórica, mas como uma exigência profunda de sermos aquilo que somos, uma força que nos impulsiona numa direção – A realização de nosso EU SOU.
Por trás de nossa distorção egóica, não importa, que tipo de ego se manifeste em nós, há esta força Divina impulsionando nosso movimento na vida. Não é o ego que nos movimenta, ele não tem força para isto, pois um menor não é capaz de mover o todo de nossa vida. O ego é apenas distorção do movimento da vida, não é o movimento. Não somos uma forma egóica em expressão, somos uma Força, uma potencialidade Divina em movimento, que por resistência se distorce em ego.
É diferente a perspectiva. Se acreditamos que somos um Ego, Deus precisa ainda ser alcançado, está longe, ainda não se manifestou. Mas se acreditamos que somos a Força Divina atuando de forma distorcida, nosso olhar se volta para a força, para percebê-la, pois ela tem identidade, manifesta-se concretamente, faz exigências fundamentais. Então esta Força Divina deixa de ser teoria e se torna experiência, experiência elementar que eu reconheço e manifesto como um Si Mesmo.
E então encontro a Luz dentro de minha própria casa.
Ahow!
Denise Cabelos Trançados