Galeria Myralda e a Exposição Israel Hatikva - Correspondência da Galeria Myralda

Recebi e reproduzo correspondência da Galeria Myralda


A FALTA NO ENCONTRO

Elas não se viam há cinco anos. O reencontro se deu num charmoso café-livraria, em um fim de tarde de um outono frio.

Cristina e Vanessa são aquelas amigas que viveram da infância ao início da vida adulta dividindo as emoções de tudo: eram inseparáveis.

O abraço apertado, após os cumprimentos típicos femininos, gerou uma frase dita quase simultaneamente: “Nossa!, vamos fazer trinta e quatro anos, mas quando te vejo parece que estamos de uniforme indo para a escola.” Foi o bastante para que um filme começasse a passar naquela mesa, voltando a roda do tempo.

Vanessa se casou com Otávio, o primeiro namorado, com quem teve dois lindos filhos. Formou-se em jornalismo, mas trabalhou apenas por dois anos num jornal de pouca expressão. O salário pequeno a fez migrar para a publicidade, que largou depois da primeira gravidez.

Cristina não se casou. Fez concurso para auditora fiscal e morou em diversas capitais antes de retornar a BH. Namorou alguns, mas se dedicou mais a experimentar as novidades do momento. Entregou-se à liberdade.

Elas se olham, e escapa um olhar de saudade. Foram tantas fases juntas: o primeiro sutiã; a delícia de ver (ao passar) a mudança do olhar masculino; aquela festa de quinze anos; a viagem para o sítio de um amigo; os mistérios da primeira transa; a escolha do vestibular; o desejo de independência; o sonho do intercâmbio no exterior; a paixão por um fotógrafo; a ansiedade pelo emprego; morar sozinha; viajar pelo mundo; o medo de ter engravidado; a coragem da bebida; a dieta eterna; a chatice da academia; a culpa do depois; a saudade de tudo.

Elas colocam a vida em dia. Após as alegrias, começam as confidências. Vanessa sente o sufocar de uma relação única que avança no tempo domesticando o desejo. Cristina vive a pressão da natureza a gritar nas madrugadas vazias que o tempo não perdoa a perda de tempo: é a urgência de ser mãe que pulsa.

Vem um cheiro de frustração. Tal como há mais de vinte anos, quando surgiam os primeiros traços de mulher, uma deseja o penteado da outra.

Após a despedida, surge um sorriso maduro de paz. Ao se verem, foi como voltar o tempo e poder viver uma outra escolha. Sobrou a onipresença da falta. Como este encontro nos faz falta!

Este e outros, curta lá na "Piroga no Mar"
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Piroga no Mar



Amigos, 

aproveito a oportuna leitura do texto tão inspirativo, para convidá-los a entrar no mundo "globalizado" e pensante das culturas circundantes. Não sendo a nossa, a única cultura que existe; torna-se necessário refletir em torno do que foi, do que é, e do que será nossa cultura sem o devido reconhecimento político apartidário.

Sete Lagoas ficou muito tempo aquém do aparelhamento cultural do bom senso participativo da cultura mundial. Agora estamos tendo oportunidade de confrontarmos o nosso pensamento local com o que acontece no restante do mundo. É a cidade começando a refletir no seu papel participativo no mundo da organização da cultura Mineira e Brasileira e tentando protagonizar a sua própria maneira de interagir nessa complexa teia mundial.

A semente foi lançada nesse último dia 13 de maio 2013, no auditório da Casa da Cultura com o projeto "JANELAS PARA O MUNDO" com a presença do Cônsul de Israel, Dr. Silvio Musman representando a Embaixada de Israel em Brasília, por indicação do Embaixador, Sr. Rafael Eldad, direto para Sete Lagoas. E não menos, com a presença do Presidente do IHIM, marchand e colecionador de arte, Sr. Jacques Ernest Levy e autoridades dos poderes constituídos, o Prefeito e Presidente da Câmara, além de todos os quatro clubes locais do Rotary Club International.

Presentes estavam pouquíssimos privilegiados pensadores locais, em desequilíbrio com outras centenas de pessoas que poderiam abrilhantar mais ainda o evento: Ausentes!... A educação atual passa necessariamente pelos processos participativos da "comuna" no todo. Não acredito que precisamos de uma carta de autonomia assinada pelo "rei" para pensarmos nossa maneira de ser e estar no mundo. Nesse sentido, por meio de curadoria especial da Galeria Myralda, foi inaugurada a Exposição "ISRAEL HATIKVA", acreditem: criticada por alguns como um evento que promove cultura estrangeira dentro dos nossos limites!!

No dia 21 de maio às 19:30h, colocarei direto de Israel, em video conferência (se os equipamentos não falharem), com quem quiser participar, o intelectual cineasta : Shimulick Maoz, ganhador de vários prêmios, (conversação em Inglês) com nosso público local. Será projetado em primeira mão, com autorização do próprio cineasta, seu filme "LEBANON" lançado em 65 países e comentado pelo seu irmão - Nmerod Maoz que estará no palco da Casa da Cultura, e logo a seguir o autor entra ao vivo pela WEB, para conversar conosco. Esse evento está marcado para o dia 21 de maio no auditório da Casa da Cultura em Sete Lagoas. Vamos participar dessa vez? Haverá tradução simultânea para o portugues, porém com diálogo em inglês.

Grande abraço a todos!


Minha posição

À Galeria Myralda e a Exposição Israel Hatikva

Este evento é de grande importância para Sete Lagoas. É mais importante ainda, o projeto "Janelas para o Mundo" (uma idéia brilhante) neste esforço diuturno para se quebrar o sectarismo cultural de nossa comuna, e nos inserir por meio destas "janelas", nas "Avenidas do Mundo", ou nos "Parques do Mundo".
A propósito, é também uma boa oportunidade para se refletir sobre esta atitude cautelosa ou mesmo distante, do pensador e artista local, sobre a nossa realidade cotidiana. Atitude esta trabalhada e consolidada, pelo menos, em parte pelo descaso, desinteresse e omissão com que a política local, tem tratado nossas instituições, patrimônios e projetos culturais. A solução deste pensador ou artista, para expressar seu pensamento e arte, diante deste atraso secular é justamente procurar as múltiplas janelas para o mundo que a Internet oferece de forma ampla e irrestrita.
Sete Lagoas conta com valores autênticos de peso, e com projetos que caminham espontâneos a revelia do pensamento político conservador. Artistas e eventos de fora tem que ser bem vindos em nossa comuna, porque vem somar e nos trazer pelo intercâmbio cultural, mais conteúdo, neste espinhoso caminho pela maioridade que almejamos como cidadãos do mundo. 
A cooptação de um evento cultural pela política gera desconfianças, mas precisamos superar estas desconfianças e tentar mais uma vez... Mais uma... E mais uma, até dar certo.
 Neste tentar mais uma vez contamos com a galhardia e coragem de algumas pessoas que se colocam acima das montanhas do pensamento comum e aldeão e enxergam além delas.
Cumprimento de forma efusiva e particular ao artista plástico Demétrius Cotta, curador da galeria Myralda, por mais esta iniciativa e fico na esperança de que o poder publico dê seu passo conclusivo de encontro a nossa cultura e nossa arte, (não apenas no carnaval).
Desejo muito sucesso ao evento e a outros que virão. Da minha parte, coloco-me a disposição para qualquer cooperação que me for solicitada. Com certeza estarei lá no dia 21.

João Drummond